Eram quase 5h do dia 7 de novembro de 1981, quando um comboio formado por quatro ônibus e cinco caminhões que traziam as primeiras famílias de colonos da Encruzilhada Natalino (RS) para ocupar as terras do Assentamento Especial Lucas do Rio Verde. Foram mais de 70 horas de viagem desde Sarandi, no Rio Grande do Sul, até chegar ao local da “terra prometida”

Matéria publicada, na época, pelo Jornal do Brasil, narra que a chegada foi “nervosa”, pois os homens queriam ver logo onde ficavam as terras que iriam ocupar, enquanto as mulheres, muitas com filhos pequenos no colo, se viram tomadas pela tristeza ao se depararem com o acampamento de lonas preparado pelo Exército Brasileiro para abrigar as famílias enquanto era feita a distribuição dos lotes que caberia a cada uma.

“Aqui não tinha nada”, contou o pioneiro Auri Bueno em entrevista concedida ao Folha Verde em julho de 2013. “O começo foi muito difícil”, relatou Nilça Bueno ao lembrar que foram a fé, a união e a convivência familiar que deram suporte às famílias para que conseguissem superar as adversidades. Auri lembrou que ele andava mais de 25 quilômetros, a pé, de suas terras até a BR-163 para pegar ônibus ou conseguir carona para se deslocar a Diamantino em busca de serviços de banco, mercado, farmácia, telefone.
A história dos pioneiros de Lucas do Rio Verde é de superação e merece sempre ser lembrada e reverenciada. E antes de novembro de 2025 acabe, o Folha Verde faz este registro para lembrar que se hoje temos uma cidade que é referência no estado e no país, deve-se ao trabalho, espírito empreendedor e cooperação que moveram as primeiras famílias, inspirando as centenas e milhares que chegaram depois e, sempre com fé, trabalho e envolvimento coletivo, transformaram um assentamento no município próspero que tanto nos orgulha.


























