Lucas do Rio Verde celebra o sucesso do Show Safra Mato Grosso 2025, realizado de 24 a 28 de março. Os organizadores do evento e o próprio município estão saboreando os frutos colhidos nesta edição e já visualizam inovação para os próximos anos. Na esteira desse sucesso que aponta para um futuro de grandes avanços, faz-se oportuno lançar um olhar para o passado, rememorando as iniciativas e ações que resultaram na criação da Fundação Rio Verde, responsável pela realização do Show Safra e, sem dúvida, corresponsável pelo desenvolvimento da agropecuária mato-grossense.
Um pouco de história
Em 1992, as prefeituras e cooperativas de produção dos municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Tapurah e Sorriso se uniram mediante a necessidade de respaldar a pesquisa, gerar e validar tecnologias para promover o desenvolvimento sustentável da atividade agrícola e, por conseguinte, fomentar o progresso da região. Era um tempo de grandes dificuldades que exigia união de esforços para fazer a agricultura prosperar, o que incluía a busca de alternativas para diversificação da atividade agrícola, base da economia regional.
A assembleia que oficializou a criação da Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Integrado Rio Verde – Fundação Rio Verde – e elegeu sua primeira diretoria, aconteceu no dia 1º de agosto de 1992, na sede da Associação dos Funcionários da Cooperlucas. A iniciativa, porém, vinha sendo gestada desde o 1º Fórum Regional de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário, realizado nos dias 28 e 29 de abril de 1992, conforme noticiado pelo Jornal Folha Verde em sua edição 101, de 9 de maio de 1992.
O fórum, conforme relata o Folha Verde, aconteceu em Lucas do Rio Verde e reuniu cerca de 60 participantes, entre agrônomos, veterinários, pesquisadores, técnicos agrícolas, produtores rurais, pecuaristas, empresários e lideranças políticas dos quatro municípios. Os participantes foram distribuídos em grupos de trabalho, que levantaram propostas para estruturação física do campo de pesquisa de uma Fundação que estava sendo concebida.
De acordo com a matéria do Folha Verde, ao final do fórum, os participantes aprovaram o estatuto da Fundação Rio Verde e relacionaram diversas ações a serem desencadeadas para fomentar o desenvolvimento regional. Dentre as ações, além estudos de melhoramento e adubação para as culturas de soja, milho e arroz, constava a busca de alternativas para algodão, girassol, sorgo, trigo e olericultura. A suinocultura, cujo projeto estava sendo implantado na região, foi definida como prioridade, mas o Fórum elencou também a necessidade de buscar alternativas para avicultura, piscicultura e ovinocultura, além da bovinocultura de corte e de leite. Constava ainda na lista de ações o desenvolvimento de estudos de conservação de solos e trabalhos integrados visando a preservação do meio ambiente. Buscar a viabilização de indústria esmagadora de soja com aproveitamento de resíduos para ração, o incremento da indústria leiteira e a instalação de indústria frigorífica também foram ações elencadas pelo Fórum.
Primeira diretoria
A primeira diretoria da Fundação Rio Verde foi constituída por: presidente, Valdir Giaretta (Lucas do Rio Verde); 1º vice-presidente, Nereu Bresolin (Sorriso); 2º vice-presidente, Mauro dos Santos Franco (Eldorado/Tapurah); 1º secretário, Sérgio Massamitsu Arimori (Nova Mutum); 2º secretário, Álvaro André Gomes (Tapurah); 1º tesoureiro, Egídio Raul Vuaden (Lucas do Rio Verde); 2º tesoureiro, Washington Lima Queiroz (Sorriso). O Conselho Curador reunia representantes das cooperativas e prefeituras dos quatro municípios e tinha os seguintes membros: Luiz Matsubara, José Nakiri, Gervasio Marco Becker, Eurides Ricardo dos Santos, Nelci José Lorenzi, Willians Reinaldo de Andrade, Emiliano Pgeiban, Moacir Antonio Fontana e Orlando José Bender.
Oficialmente constituída, a Fundação Rio Verde começou a desenvolver seus trabalhos na área denominada “lote 10” do Projeto Especial de Assentamento Lucas do Rio Verde. A área fora reservada pelo INCRA para campo de pesquisa e durante algum tempo fora utilizada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (EMPA).
O Campo Experimental e os trabalhos nele desenvolvidos pela Fundação Rio Verde eram mantidos pelas prefeituras e cooperativas dos quatro municípios. Com a crise que se abateu sobre o setor agrícola nos anos de 1994/1995, essas instituições tiveram dificuldades em aportar recursos para a Fundação, o que levou à paralisação das atividades. Em 1997, com apoio da Prefeitura de Lucas do Rio Verde e parceria dos produtores rurais do município, a Fundação Rio Verde foi reestruturada, o estatuto foi alterado e a instituição ingressou em uma nova fase, passando a desenvolver trabalhos de pesquisa e também a promover a difusão das tecnologias geradas ou validadas em seu campo experimental.
Em agosto de 1997 foi eleita uma nova diretoria, formada pelas seguintes pessoas: presidente, Joci Piccini; vice-presidente, Egidio Raul Vuaden; secretária, Dora Denes Ceconello; tesoureiro, José Henrique Hasse; suplente, Valdir Giaretta.
Fragmentos
Esses relatos são apenas alguns fragmentos do início da trajetória da Fundação Rio Verde, cuja história se entrelaça e se confunde com a história de Lucas do Rio Verde. A instituição tornou-se referência na geração e validação de tecnologia, preservação ambiental e profissionalização, e conquista cada dia mais destaque no desenvolvimento regional.




























