“Eu falo sempre, Lucas do Rio Verde é o meu sangue, corre dentro da minha veia. Nunca esqueço: eu dei tudo por aquele lugar”, declara o agropecuarista Guimorvam Pinto, que se estabeleceu em Lucas do Rio Verde no começo de 1980 e participou ativamente da construção do município, integrando, inclusive, a Comissão Pró-Emancipação.
Atualmente, Guimorvam reside em Guarantã do Norte, mas mantém vivas na memória as lembranças das lutas demandadas para tornar Lucas do Rio Verde município.
“Nós já tínhamos o distrito criado e nós não estávamos querendo mais nada, só emancipar. E era montes de município que estavam emancipando num mesmo tempo. Nós ficávamos a semana inteira em Cuiabá, saíamos segunda-feira, terça-feira, voltávamos na sexta-feira. Eu trabalhava pra mim só dois dias por semana, o resto era pra comunidade. Era difícil a semana que não estava em Cuiabá. Meu carro, meu dinheiro… Aí, quando apertava e faltava dinheiro, a gente apelava pra comunidade. Todo mundo ajudava, com exceção de alguns, mas a maioria ajudava”, recorda.
“Foi uma união de todo mundo. A gente tinha uma assessoria muito boa em Cuiabá, do deputado José Lacerda, que é de Cáceres, mas ele assumiu o nosso projeto, nos deu um apoio muito grande pra criar este município, é dele o projeto de lei que cria o município de Lucas do Rio Verde. E todos pegamos juntos, Lucas sempre teve uma muito boa, as pessoas se doavam muito e trabalhavam junto, não tinha ninguém que puxava pra trás”, relata o produtor rural Antonio Isaac Fraga Lira, que reside em Lucas do Rio Verde desde 1976.
Primeiro vereador eleito por Lucas do Rio Verde quando a localidade pertencia a Diamantino, Lira é o autor do projeto de lei que criou o Distrito de Lucas do Rio Verde, em dezembro de 1985, instalado oficialmente no dia 17 de março de 1986.
“Enfrentamos muitas dificuldades, mas as coisas aconteceram muito rápido, se a gente pensar que em 5 de agosto de 1982 a gente lançou a pedra fundamental do núcleo urbano e não tinha nada, só tinha um acampamento do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão do governo federal responsável pela implantação do projeto de assentamento Lucas do Rio Verde] lá no início da cidade, no bairro Pioneiro, as casas do Incra e mais nada. E em seis anos, em 4 de julho de 1988, nós entregamos emancipado isso aqui: da pedra fundamental pra emancipação foram apenas seis anos, é um tempo recorde”, orgulha-se o pioneiro que também fez parte da Comissão Pró-Emancipação.
O engenheiro agrônomo e empresário Jorge Luccini, que à época da emancipação era o subprefeito do Distrito de Lucas do Rio Verde, também destaca o desenvolvimento do município. “Nosso serviço na época foi emancipar uma ideia e, graças a Deus, essa ideia foi boa, tem que felicitar todo mundo que acreditou junto conosco. Não tínhamos noção de que Lucas do Rio Verde se tornaria o que é hoje. Sabíamos que iria melhorar, que ia crescer, que teríamos uma boa qualidade de vida, porque nós viemos de lugares que eram bons, conhecíamos o que era bom. Aqui era só poeira, mas resolvemos fazer dessa cidade uma cidade para nós vivermos”, ressalta.
4 de julho ou 5 de agosto?
A emancipação político-administrativa de Lucas do Rio Verde aconteceu em 4 de julho de 1988. O município foi criado por meio da Lei nº 5.318, sancionada pelo então governador Carlos Gomes Bezerra e publicada no Diário Oficial do Estado no dia 4 de julho de 1988. Na mesma data, foram emancipados vários outros municípios de Mato Grosso, dentre eles, Campo Novo do Parecis, Nova Mutum e Tapurah.
A decisão de comemorar o aniversário da cidade em 5 de agosto foi tomada na definição dos feriados municipais, logo após a instalação da Prefeitura e da Câmara de Lucas do Rio Verde, em janeiro de 1989. A decisão levou em conta a data de fundação do núcleo urbano, que aconteceu em 5 de agosto de 1982.
(Esta matéria foi publicada originalmente na edição nº 1223 do jornal Folha Verde, que circulou no dia 11 de julho de 2019)
In memoriam
Guimorvan Pinto morreu aos 69 anos de idade, vítima de um acidente de trânsito no dia 28 de abril de 2021.
As declarações usadas na matéria foram extraídas de entrevista que ele concedeu em sua residência, em Guarantã do Norte, em julho de 2018, para o projeto Lucas 30 anos.





























