A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) concluiu nesta segunda-feira, 24, em Cuiabá, uma série de ações inéditas que marcaram a inauguração do Escritório da Agência em Mato Grosso, ampliando sua presença institucional no Centro-Oeste e reforçando o apoio direto às empresas e produtores mato-grossenses. A agenda, voltada à expansão das exportações e ao fortalecimento da atração de investimentos para o estado, reuniu autoridades federais, empresários e representantes de entidades setoriais na capital e simboliza uma nova fase da atuação da ApexBrasil no estado.
“O Brasil voltou a ter um protagonismo muito grande no mundo, liderando o G20 e os BRICS neste ano, realizando missões internacionais e recuperando um espaço que não ocupava há cerca de 10 anos. A ApexBrasil dobrou sua presença no exterior e também o número de escritórios. Criada em 2003, a Agência chega agora a mais de 11 representações internacionais e decidiu, além disso, fortalecer sua atuação dentro do próprio país”, sublinhou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.
A ampliação do alcance internacional vem acompanhada de uma estratégia de presença mais próxima do setor produtivo brasileiro. “Não é possível ampliar nossa presença nacional no agronegócio sem olhar para Mato Grosso. O estado é extraordinário, avançou muito, fez seu dever de casa e responde por perto de um terço do saldo positivo da balança comercial brasileira, algo em torno de US$ 30 bilhões ao ano. Por isso, decidimos instalar um escritório da ApexBrasil aqui, que começa a operar imediatamente e, a partir de janeiro, já estará implementando programas. Estar sediada na capital do agronegócio, na Federação da Agricultura de Mato Grosso, com apoio do presidente Vilmar, é uma forma de oferecer um instrumento concreto para facilitar a vida de quem produz e quer exportar. Barreiras que existiam no passado estão sendo desmontadas: há uma reaproximação do governo federal com os produtores do estado, e agora quem quiser competir no mercado internacional terá a ApexBrasil por perto, aqui mesmo em Mato Grosso”, ressaltou Viana.
Na mesma direção, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, lembrou que os avanços diplomáticos e a atuação conjunta entre governo federal e ApexBrasil já começam a gerar resultados concretos para o agronegócio brasileiro. “Juntos, desde o primeiro dia do terceiro mandato do presidente Lula, conseguimos transformar esse bom momento da diplomacia em oportunidades comerciais. A Apex tem feito um belíssimo trabalho, juntamente com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com o nosso vice-presidente Geraldo Alckmin, e o Ministério das Relações Exteriores. São 500 novos mercados abertos para os produtos da agropecuária brasileira em todo o mundo”, afirmou Fávaro.
“A ApexBrasil chega para reforçar um potencial que já é espetacular aqui no estado de Mato Grosso e para ajudar o Brasil a exportar mais. Não estamos falando apenas de soja, milho e algodão, mas de ampliar mercados. O DDG (Grãos Secos de Destilaria), por exemplo, que é uma indústria que se consolidou em Mato Grosso, o etanol de milho e o gergelim estão ganhando força. O gergelim, que praticamente não tinha comércio internacional há poucos anos e hoje já conta com 61 estabelecimentos habilitados para exportar para a China. Desses, 31 são mato-grossenses”, destacou o ministro.

Na Famato
O novo escritório funciona na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), no espaço do AgriHub, no Centro Político-Administrativo, facilitando o acesso a estudos de mercado, capacitações e missões comerciais.
“O escritório da ApexBrasil dentro da Famato é um ganho direto para quem produz. Vai preparar empresas e produtos para disputar o mercado internacional, com orientação técnica e portas abertas a novos compradores”, salientou o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain. “Exportar requer método. Ter gente para ensinar é como voltar ao banco da escola: o produtor aprende, aplica e colhe resultado”, completou.
Reuniões estratégicas
Outro momento de destaque foram as reuniões de trabalho entre 54 adidos agrícolas brasileiros e cerca de 200 representantes do setor produtivo, que lotaram o auditório principal e salas de reuniões. O encontro colocou representantes do setor produtivo frente a frente com os responsáveis, no exterior, pela abertura de mercados e superação de barreiras comerciais, permitindo esclarecimento direto de dúvidas.
“Estamos aqui com todos os nossos adidos agrícolas, recebendo as demandas e ouvindo aquilo que os produtores e exportadores de Mato Grosso têm a nos pedir, para que possamos avançar e para que o Brasil esteja cada vez mais conectado. Esse trabalho é feito em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária, a ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores, para que a gente possa, cada vez mais, colocar o Brasil no mundo”, explicou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Luis Rua.
Investimentos para ampliar exportações
Durante o evento, a ApexBrasil firmou convênios com três importantes entidades do agronegócio: Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) e Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE), que juntos somam mais de R$ 42 milhões. Os recursos serão aplicados em ações de promoção internacional, inteligência de mercado e expansão da presença brasileira no exterior, impulsionando as exportações de algodão, etanol de milho, feijões e pulses para novos mercados.
“É realmente gratificante e histórico para nós renovar o segundo convênio com a ApexBrasil. A UNEM é uma entidade jovem, representando o setor de etanol de milho, também ainda novo no país. Tivemos a oportunidade, há pouco mais de dois anos, de firmar o primeiro convênio, e agora já estamos renovando para mais um biênio. Eu costumo dizer que a UNEM começou como uma entidade estadual e se tornou nacional com a abertura do escritório em Brasília. A partir do convênio com a Apex, passamos também a ter atuação internacional, representados em diversos países pelos escritórios da Agência e em mais de 40 embaixadas brasileiras com o apoio dos adidos agrícolas. Essa parceria tem sido um sucesso, não apenas pelo aporte financeiro, mas por toda a estrutura, inteligência e capacidade de organização que a Apex nos oferece, permitindo estruturar novos mercados e fortalecer a presença do produto brasileiro no exterior”, destacou o presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Guilherme Nolasco.
Programas de qualificação para empresas
A ApexBrasil também lançou dois programas estratégicos que apoiarão o desenvolvimento exportador do estado conforme o grau de maturidade de cada empresa. O Qualifica Exportação, executado diretamente pela Agência, prestará consultoria especializada para empresas já preparadas ou em estágio avançado de exportação. Já o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) será executado em parceria com o Sebrae-MT e oferecerá qualificação gratuita e estruturada para micro e pequenas empresas com baixa maturidade exportadora. No total, os dois programas capacitarão 150 empresas mato-grossenses com investimento de mais de R$ 2,5 milhões.
“O principal mote desse momento é o fortalecimento do diálogo. Acredito que o novo escritório da Apex representa a união dentro do ecossistema empreendedor. O estado de Mato Grosso tem uma nova fronteira econômica a ser construída, não apenas na mineração ou na energia, mas sobretudo na industrialização das nossas cadeias produtivas internacionais. E, na base de todas elas, estão os pequenos negócios, que hoje somam mais de 400 mil empresas em Mato Grosso”, assinalou o diretor Técnico do Sebrae-MT, André Luiz Schelini.
Exportações e oportunidades para Mato Grosso
O estudo Oportunidades de Exportação e Investimentos – Mato Grosso, publicado pela ApexBrasil, revela a força do estado no comércio exterior brasileiro. Em 2024, o estado foi o principal exportador da região Centro-Oeste, responsável por 55% das vendas externas, e ocupou a oitava posição nacional, com US$ 27,6 bilhões exportados. A pauta é dominada pela agropecuária (72,1%), seguida pela indústria de transformação (26,7%). A China manteve-se como o principal destino das exportações do estado, absorvendo 32,7% do total exportado em 2024.
O levantamento identifica ainda 1.235 oportunidades tradicionais de exportação, distribuídas em 21 setores, envolvendo 32 produtos. Entre os setores mais promissores estão carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (com forte demanda de China, Chile, EUA, Egito e Emirados Árabes), além de soja, milho, farelos de soja, algodão e gorduras e óleos vegetais, com oportunidades na República Tcheca, Itália, Vietnã, Coreia do Sul e Portugal. (Fonte: ApexBrasil e Famato)






























