2ª SEMANA DO AVIADOR

Conhecimento, integração e emoção marcam evento dedicado à aviação agrícola e executiva

Atividades foram desenvolvidas no espaço Show Safra Aero, na Fundação Rio Verde, com programação técnica e ações abertas à comunidade
(Foto: Verbo Press)

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Em dois dias de programação, a 2ª Semana do Aviador transformou Lucas do Rio Verde em um dos pontos de encontro da aviação agrícola brasileira. Resultado de uma parceria entre a Fundação Rio Verde e o Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, com patrocínio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), o evento foi realizado nos dias 11 e 12 de setembro, no espaço Show Safra Aero.

Reunindo conteúdo técnico, demonstrações e atividades voltadas à comunidade, a iniciativa buscou aproximar o público de um setor que tem papel estratégico no desenvolvimento do agronegócio, além de apresentar as tecnologias, os profissionais e os equipamentos que fazem parte da aviação agrícola.

Palestrante no primeiro dia do evento, Cláudio Júnior Oliveira, diretor operacional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), diz que o crescimento do setor está diretamente relacionado à capacidade de incorporar tecnologia e oferecer soluções cada vez mais eficientes e sustentáveis ao campo.

(Foto: Verbo Press)

Segundo ele, o Brasil possui atualmente a segunda maior frota de aeronaves agrícolas tripuladas do mundo e também apresenta forte expansão no segmento de equipamentos não tripulados, como os drones. Cláudio destaca que a aviação agrícola atende atualmente 29 cultivos no país e possui um potencial significativo de contribuição para a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio.

Um dos exemplos está no uso racional da água. Enquanto aplicações terrestres podem demandar volumes superiores de calda por hectare, aeronaves agrícolas trabalham com volumes significativamente menores. De acordo com os dados apresentados pelo diretor do Sindag, uma eventual substituição completa da aplicação aérea por operações terrestres representaria um consumo adicional estimado em bilhões de litros de água.

“É um setor que entrega produtividade e sustentabilidade”, salienta Cláudio, ao ressaltar a importância da tecnologia aplicada à pulverização agrícola.

O avanço dos drones também foi apontado como uma das transformações mais importantes do segmento. Para o diretor do Sindag, entretanto, a expansão dos equipamentos não tripulados não representa o fim da aviação agrícola convencional. Ao contrário, as diferentes tecnologias tendem a atuar de forma complementar, ampliando as possibilidades de aplicação aérea no campo.

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Olhos voltados para o céu

Depois de uma sexta-feira voltada à capacitação, segurança de voo, legislação e discussões sobre o setor aeroagrícola, o sábado foi dedicado à aproximação com a comunidade. Famílias e estudantes estiveram no espaço Show Safra Aero, onde puderam conhecer aeronaves, conversar com profissionais, visitar estandes e acompanhar demonstrações de equipamentos e acrobacias aéreas.

Um dos momentos mais aguardados foi a apresentação do piloto Willian Rambo, que levou ao céu uma sequência de manobras que chamou a atenção do público. A movimentação também rendeu muitos registros em fotos e vídeos.

A programação contou ainda com palestras sobre manutenção e operação de aeronaves e segurança de voo. Para os organizadores, a combinação entre conteúdo técnico e atividades abertas ao público representa justamente a evolução da proposta da Semana do Aviador.

(Foto: Verbo Press)

Uma experiência para a vida

Sorteios de brindes e a oportunidade de fazer voos panorâmicos também marcaram o segundo dia do evento. Para o estudante Daniel Gardin, de 11 anos, o passeio foi uma experiência que ficará na memória. “É uma sensação única da vida. Você olha para o chão, parece que vai cair, mas depois vem aquela sensação de alívio quando o avião continua reto”, conta.

A estudante Júlia Sofia Cavalcante, de 13 anos, também participou do voo. Ela já havia viajado de avião, mas nunca havia vivido uma experiência como aquela. “Foi uma experiência maravilhosa. Eu nunca tinha feito isso antes. Para mim foi incrível”, comemora.

Para o professor Flávio Gardin, pai de Daniel, a experiência proporcionada pelo projeto e pela Semana do Aviador foi marcante. “É espetacular ver no olho deles brilhando a felicidade. A experiência para eles foi magnífica”, sublinha. Segundo ele, para algumas das crianças, aquela pode ter sido a primeira — e talvez até a única — oportunidade de realizar um voo como aquele.

Aviação também como oportunidade para o futuro

A presença das famílias e das crianças reforçou uma das principais propostas desta edição da Semana do Aviador: desmistificar a aviação e apresentar à comunidade as possibilidades profissionais existentes no setor.

O diretor executivo da Fundação Rio Verde, Rodrigo Pasqualli, explica que a aproximação com a população foi justamente uma das novidades da edição de 2026.

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“A proposta desse evento, dessa Semana do Aviador, é a inovação em relação ao evento realizado no ano passado, de ter essa aproximação com a comunidade”, explica. Segundo ele, a intenção é proporcionar às pessoas a oportunidade de conhecer o universo da aeronáutica, tanto agrícola quanto executiva, e despertar novos interesses profissionais.

Para Pasqualli, o setor oferece um amplo campo de oportunidades para quem deseja atuar como piloto, mecânico ou em outras profissões relacionadas à aviação.

A avaliação também é compartilhada pelo presidente da Fundação Rio Verde, Joci Piccini. Para ele, o evento mostra a importância da tecnologia para uma região que possui uma das maiores concentrações de atividade agrícola do país e pode, ao mesmo tempo, despertar novas vocações.

“Eu acho que muitas crianças, muitas famílias aqui demonstram que isso interessa também, como uma profissão, como um meio de trabalho”, afirmou.

Um setor com potencial para crescer

Além da experiência proporcionada ao público, a Semana do Aviador também reforçou a discussão sobre o futuro da atividade em Lucas do Rio Verde.

Durante o encerramento, o prefeito Miguel Vaz destacou a importância de o município olhar para a aviação não apenas como uma ferramenta do agronegócio, mas também como um setor de serviços e oportunidades.

Segundo ele, existem perspectivas para ampliar a capacitação de profissionais e transformar Lucas do Rio Verde em um polo de manutenção de aeronaves. O prefeito também apontou a possibilidade de o município avançar na realização de uma feira voltada ao setor.

Para a Fundação Rio Verde, o resultado da segunda edição confirma o potencial da iniciativa. Pasqualli avalia que o evento cresceu em estrutura, programação e participação e já projeta uma terceira edição em 2027.

“É um evento mais inclusivo para todas as gerações”, resume o diretor executivo ao reforçar que a 2ª Semana do Aviador deixa mais do que imagens de aeronaves no céu de Lucas do Rio Verde. Deixa conhecimento, aproximação com a comunidade e, para muitas crianças, a descoberta de que aquilo que parecia distante pode também representar um sonho — e uma profissão para o futuro. (Com Verbo Press)

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