STATUS SANITÁRIO

China reconhece todo território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação

Decisão abre novas oportunidades para exportações de carne bovina, especialmente para Mato Grosso, que tem o país asiático como principal destino
(Foto: Mapa / Reprodução)

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“Hoje o dia começou com uma grande notícia. Logo no início da manhã, o ministro Mauro Vieira confirmou que a China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. Esse foi um dos principais temas que levamos como prioridade durante nossa recente missão à China. Tivemos reuniões longas e produtivas com os ministros da Agricultura e do Comércio, e essa era uma das reivindicações mais importantes que apresentamos. Por isso, temos razões de sobra para celebrar esse resultado”, declarou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ao anunciar que a República Popular da China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.

Para o ministro, o reconhecimento reflete os resultados do diálogo técnico e institucional mantido entre os dois países e representa um importante avanço para o fortalecimento das relações sanitárias e comerciais entre as duas nações.

Confirmada nessa terça-feira, 2, a decisão ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, consolidando décadas de trabalho dos serviços veterinários oficiais, dos produtores rurais e dos governos estaduais em prol do fortalecimento da sanidade animal.

O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, destacou a importância estratégica da decisão para a ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês. “Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado e contribuindo para melhorar o desempenho econômico dessas cadeias produtivas”.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em 2025.

Mato Grosso

Maior produtor e exportador de carne bovina do Brasil, Mato Grosso tem a China como seu principal parceiro comercial no setor. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações mato-grossenses de carne bovina para o país asiático somaram US$ 797,17 milhões. O estado respondeu por 29,61% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil para o mercado chinês no período.

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Dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que no quadrimestre deste ano, Mato Grosso exportou 47,76 mil toneladas para a China.

Os números de 2025 também demonstram a importância desse mercado para a cadeia produtiva no estado. De janeiro a dezembro do ano passado, a pecuária mato-grossense exportou 978 mil toneladas de carne para 92 países, gerando uma receita de aproximadamente US$ 4 bilhões. Deste total, mais da metade (536 mil toneladas) teve como destino a China.

Segundo o Imea, esse desempenho consolida Mato Grosso como o maior exportador brasileiro de carne bovina, tanto no ano passado quanto agora em 2026.

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que a decisão reforça a posição de Mato Grosso no mercado internacional e traz mais segurança para a continuidade das exportações ao principal comprador da carne bovina produzida no estado.

“Quando o país reconhece o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, ele reforça a confiança na nossa produção e cria um ambiente mais favorável para os negócios. Mato Grosso já é líder nacional na produção e exportação de carne bovina, e medidas como essa ajudam a manter a competitividade do setor e a ampliar oportunidades para os produtores do estado”, afirmou.

A medida também deverá ampliar as oportunidades de exportação de produtos bovinos e suínos para a China, especialmente itens como miúdos e carne com osso, mercados com potencial de expansão para Mato Grosso. A abertura reforça as perspectivas de diversificação da pauta exportadora do estado e de agregação de valor à produção pecuária destinada ao mercado asiático.

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Para o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Sistema Famato), o reconhecimento tende a gerar impactos ainda mais positivos para o estado, além de reforçar a credibilidade sanitária da carne brasileira no mercado internacional e ampliar as oportunidades de acesso a negócios de alto valor agregado.

“Além dos impactos diretos sobre as exportações, a medida reforça o posicionamento do estado como referência mundial na produção sustentável e segura de alimentos, agregando valor à carne produzida e contribuindo para a geração de renda, empregos e desenvolvimento econômico em toda a cadeia pecuária”, destaca o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomasin.

Avanços

Mato Grosso teve o último registro de febre aftosa em 1996. Desde então, o estado avançou na estruturação do sistema de defesa sanitária, com campanhas de vacinação, fiscalização e monitoramento contínuo do rebanho. Em 2001, conquistou o status de zona livre de febre aftosa com vacinação.

Em 2025, Mato Grosso alcançou o mais alto nível de reconhecimento sanitário concedido pela OMSA ao ser certificado como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Na época da conquista, o rebanho mato-grossense já havia alcançado cerca de 32 milhões de cabeças, consolidando o estado como líder nacional da pecuária bovina.

A presidente do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), Emanuele de Almeida, ressaltou que o reconhecimento internacional é resultado de um esforço contínuo entre poder público e setor produtivo.

“Este reconhecimento internacional é fruto do trabalho conjunto entre o governo e a iniciativa privada, que cumpriram integralmente o Plano Estratégico ao longo de oito anos, aperfeiçoando a estrutura operacional do Indea-MT, os procedimentos de vigilância veterinária e, principalmente, o envolvimento do produtor rural na prevenção da febre aftosa”, afirmou. (Com informações do Mapa, SEDEC e Famato)

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