O Plano Safra 2026/2027 estima o montante de R$ 525,1 bilhões destinados a linhas de crédito, incentivos e instrumentos de política agrícola voltados a médios e grandes produtores, com o objetivo de fortalecer a produção agropecuária brasileira.
Conforme anunciado pelo governo federal, o valor representa R$ 9 bilhões a mais que na safra anterior. Do total estimado, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, garantindo recursos para despesas essenciais da produção agropecuária, como a aquisição de insumos, a condução das lavouras, a manutenção dos rebanhos e a comercialização da produção.
Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados aos investimentos, apoiando a modernização produtiva, a ampliação da capacidade de armazenagem, a irrigação, a inovação tecnológica, a renovação de máquinas e equipamentos e o aumento da eficiência nas propriedades rurais.
Avanços
Um dos principais avanços do Plano Safra 26/27 é a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas da agricultura empresarial. A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva.
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), voltado aos médios produtores rurais, o volume previsto alcança R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de juros de 9% ao ano, inferior à praticada no ciclo anterior. A redução dos juros fortalece um segmento essencial para a produção de alimentos, a geração de empregos e a dinamização das economias locais. Com crédito mais acessível, os produtores ganham melhores condições para custear a produção, ampliar investimentos e conduzir o ciclo produtivo com mais segurança.
Práticas sustentáveis
Além da redução geral das taxas, o Plano Safra 26/27 reforça o incentivo à adoção de práticas produtivas sustentáveis e à regularização ambiental das propriedades rurais, reconhecendo produtores que adotam boas práticas agropecuárias, padrões de gestão e certificações reconhecidas. A redução poderá ser de até 1,0 ponto percentual na taxa de juros de custeio.
O desconto contempla até 0,5 ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular e outro 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis. A medida fortalece a ideia de que produzir com responsabilidade e eficiência, também significa melhores condições de financiamento.
Gestão de riscos
A gestão de riscos também é um dos pilares do Plano Safra 26/27. O programa reforça a importância do Proagro e do seguro rural como instrumentos de proteção da produção e de segurança para o sistema de crédito. Ao vincular a possibilidade de renegociação das operações de custeio agrícola à existência de cobertura por Proagro ou seguro rural, a política estimula a adoção de mecanismos de gestão de risco. A medida busca fortalecer a responsabilidade compartilhada entre produtores, instituições financeiras e o poder público, reduzindo a dependência de soluções emergenciais após a ocorrência de perda.
Investimentos
O investimento segue como uma das prioridades, com recursos destinados à modernização da produção, à irrigação, à inovação, à renovação de máquinas e equipamentos, à recuperação de áreas produtivas e à sustentabilidade.
O programa reforça a modernização do InvestAgro, expandindo o apoio a sistemas de geração e distribuição de energia renovável, como energia solar, biomassa, energia eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica. De acordo com o governo, as medidas contribuem para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais, ampliar a segurança energética e fortalecer a resiliência da produção agropecuária.
A armazenagem também recebe atenção especial. O apoio à ampliação, modernização, reforma e construção de armazéns e câmaras frias contribui para reduzir perdas, aprimorar a logística e amplificar a capacidade de conservação e comercialização da produção. Com maior autonomia para armazenar e comercializar seus produtos, produtores, cooperativas e agroindústrias ganham melhores condições de gestão, agregação de valor e competitividade.
Mais eficiência
O custeio permanece como um dos principais instrumentos do Plano Safra, garantindo os recursos necessários para a aquisição de insumos, a condução das lavouras, o manejo dos rebanhos e a comercialização da produção. Em um cenário de custos ainda elevados, a redução das taxas de juros contribui para melhorar as condições de financiamento, ampliar a capacidade de planejamento e dar maior previsibilidade ao produtor.
O Plano Safra 26/27 também fortalece a complementaridade entre diferentes fontes de recursos, combinando recursos controlados, equalizados, não equalizados e fontes de mercado. Essa estrutura amplia a capacidade de financiamento do setor, permite atender diferentes perfis de produtores e finalidades de crédito e contribui para aumentar a oferta de recursos à agropecuária brasileira.
Com mais crédito, juros menores, incentivo a boas práticas agropecuárias, fortalecimento da gestão de risco, modernização energética, apoio à armazenagem e foco na execução, o novo Plano Safra reafirma o compromisso com uma agricultura empresarial forte, moderna, sustentável e competitiva.
Famato cobra medidas estruturais para Mato Grosso
Conforme avalia a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), o Plano Safra 2026/2027 trouxe avanços importantes, especialmente na redução das taxas de juros e no reforço das linhas de investimento. Ainda assim, para a entidade, as medidas permanecem insuficientes para enfrentar gargalos estruturais do crédito rural, sobretudo em estados de grande escala produtiva, como Mato Grosso.
“Houve avanço em relação ao volume disponibilizado, mas ele ainda é insuficiente diante da necessidade de desenvolvimento da produção agropecuária, não apenas em Mato Grosso, mas no Brasil como um todo. Na comparação com o ano anterior, não tivemos sequer a recomposição da inflação sobre o montante total disponibilizado”, sublinha o superintendente da Famato, Cleiton Gauer.
O superintendente lembra que a entidade havia encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária uma proposta técnica elaborada com base em estudos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), defendendo, entre outros pontos, a atualização dos critérios de enquadramento do Pronaf e do Pronamp, ampliação dos limites de crédito, fortalecimento do seguro rural, redução da burocracia para acesso ao financiamento, expansão das linhas para irrigação, armazenagem e RenovAgro, além de medidas específicas para regiões com características produtivas diferenciadas, como o Pantanal e o Vale do Araguaia.
A redução dos juros no custeio, de 14% para 12,5% ao ano, foi considerada positiva pela entidade, mas ainda distante da realidade enfrentada pelos produtores. Segundo a Famato, a medida pode aliviar parte do planejamento da próxima safra, porém não resolve o cenário de margens apertadas, aumento dos custos de produção, compromissos renegociados e endividamento acumulado nas últimas temporadas.
Um dos principais pontos de preocupação da Famato é o acesso efetivo ao crédito oficial. Segundo a entidade, na última safra de soja em Mato Grosso, pouco mais de 4% dos produtores conseguiram acessar recursos do Plano Safra para custeio, em decorrência da defasagem dos critérios de enquadramento dos pequenos e médios produtores, que deixaram de acompanhar a evolução dos custos, dos preços e da escala produtiva, além da burocracia das linhas oficiais, que muitas vezes leva o produtor a buscar alternativas no mercado privado.
A Famato também aponta que a política agrícola deixou lacunas importantes em relação à gestão de risco. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), considerado estratégico diante do aumento dos eventos climáticos, não recebeu o reforço esperado pela entidade. A federação defendia a destinação de R$ 3 bilhões ao programa, considerado essencial para proteger a produção e a renda dos produtores.
Outro ponto sensível é a vinculação de incentivos financeiros previstos no Plano Safra à validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Para a Famato, o produtor que cumpre suas obrigações não pode ser penalizado pela demora do poder público na análise e validação dos cadastros.
A Famato também observa que o Plano Safra não incorporou propostas apresentadas previamente pela entidade ao Ministério da Agricultura, entre elas salvaguardas contra bloqueios automáticos baseados no Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), revisão regionalizada da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e criação de uma linha específica de crédito para a pecuária em áreas úmidas, como Pantanal e Vale do Araguaia.
Em relação aos investimentos, a Famato reconhece a importância do reforço anunciado, mas pondera que as taxas permanecem acima do patamar defendido pela entidade para programas estratégicos, como irrigação, armazenagem e RenovAgro. Na avaliação da federação, esses instrumentos são fundamentais para ampliar a resiliência da produção, reduzir riscos climáticos e fortalecer a infraestrutura nas propriedades.
O enfrentamento do endividamento rural também permanece como um dos principais desafios do setor. Embora haja discussões em andamento no Congresso Nacional sobre propostas de renegociação das dívidas, a Famato entende que o tema deveria ter sido incorporado de forma mais efetiva ao Plano Safra, por se tratar da principal política pública de crédito para a agropecuária brasileira.
“Reconhecemos os avanços anunciados pelo governo, especialmente na redução dos juros, mas o Plano Safra ainda precisa evoluir para acompanhar a realidade da agropecuária brasileira. Mato Grosso produz em larga escala e necessita de uma política de crédito mais acessível, menos burocrática e capaz de atender efetivamente quem está no campo. A Famato continuará contribuindo tecnicamente para o aperfeiçoamento dessa política, sempre em defesa dos produtores rurais e do desenvolvimento do agro brasileiro”, reforça o presidente da Famato, Vilmondes Tomain.
O Plano Safra 2026/2027 foi anunciado pelo governo federal na terça-feira, 30 de junho. (Fontes: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Famato)


























