“A Câmara Municipal cumpre seu papel de ouvir a população e promoveu um debate histórico sobre o futuro de Lucas do Rio Verde quanto à mobilidade urbana no entorno da BR-163”, salientou o presidente do Legislativo Luverdense, vereador Aírton Callai, ao encerrar a audiência pública que debateu a construção do contorno rodoviário e as travessias da rodovia no perímetro urbano. De acordo com Callai, a Câmara vai elaborar documento com as demandas apresentadas pelos participantes e encaminhar à Prefeitura Municipal.

Convocada pela Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde, a audiência pública aconteceu na noite desta quarta-feira, 29, oportunizando que empresários, comerciantes, lideranças e autoridades conhecessem o projeto do contorno rodoviário e expressassem suas opiniões, dúvidas e sugestões sobre os rumos da mobilidade urbana no trecho da BR-163 que corta a cidade.
A população lotou o plenário João José Callai, ouviu as apresentações do Executivo Municipal e da Nova Rota do Oeste e questionou o desvio da rodovia do perímetro urbano em detrimento da construção de viadutos, como ocorre em outros municípios da região.
De acordo com o diretor de Relações Institucionais e de Comunicação da Nova Rota do Oeste, Roberto Madureira, o contorno viário, obra de longo prazo estimada em cerca de R$ 600 milhões, é a solução mais viável, de melhor custo/benefício, para desafogar a rodovia, desviando o tráfego pesado do perímetro urbano.
Contorno rodoviário
O prefeito Miguel Vaz explicou que a proposta de desviar o traçado da BR-163 do perímetro urbano vem sendo pensada desde a Conferência das Cidades realizada em 2013 e apresentada ao Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT) naquele mesmo ano. Debatida em audiências públicas nos anos de 2015 e 2016, a proposta continuou no radar da gestão municipal, especialmente visando à criação de um grande entroncamento logístico ferroviário, rodoviário e aeroportuário para o futuro, conforme explicou o prefeito.
“Quando o governo do Estado assumiu a concessão da rodovia, imediatamente eu entrei com o pedido junto à Nova Rota do Oeste, que logo tomou a iniciativa de consultar a ANTT. Marcamos uma outra reunião e a Agência viu como positivo o pedido do município, falando que são poucos municípios que têm essa coragem de fazer contorno rodoviário e nós fomos agraciados com esse contorno rodoviário que começará em breve”, sublinhou Miguel Vaz.
Conforme o projeto apresentado pela Nova Rota do Oeste, a obra terá 28 quilômetros de extensão, com duas pontes, iluminação, retornos e quatro dispositivos em desnível. A previsão é que o contorno seja iniciado em 2027 e fique pronto até 2030. A expectativa é que o novo trajeto diminua em até 39% o deslocamento dos veículos de passagem, ou seja, aqueles que transitam na BR-163 mas não entram na cidade.
De acordo com Roberto Madureira, o projeto executivo e orçamentário já foram concluídos e submetidos à ANTT. Assim que aprovados, será assinado um termo aditivo para inclusão definitiva da obra no contrato de concessão, seguindo-se a licitação para contratação da construtora e início da execução da obra. “A gente está já com esse trâmite já há algum tempo na ANTT. É um investimento robusto e um projeto complexo que leva mais tempo do que o normal. Nós já concluímos o projeto executivo, que é uma parte longa, já submetemos isso e concluímos a orçamentação”, reforçou.

Retirada da BR-163 da cidade
Com a criação do contorno viário, o trecho da BR-163 que atualmente corta a área urbana de Lucas do Rio Verde passará para responsabilidade do município. De acordo com o prefeito Miguel Vaz, duas propostas estão em análise e podem ser implementadas pelo município quando o trecho for municipalizado: a primeira prevê a duplicação do trecho, transformando-o em uma grande avenida; a segunda propõe o alargamento das avenidas marginais (Produção e Amazonas) e a criação de um grande cinturão verde para integrar as duas partes da cidade e criar um ponto de lazer para a população.
Controvérsias
Parte significativa dos participantes da audiência pública manifestou preocupação com os impactos que os estabelecimentos comerciais do entorno da rodovia podem sofrer com a construção do contorno viário.
Falando em nome da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Lucas do Rio Verde, Petronílio de Souza apresentou dados de enquete realizada pela entidade junto ao comércio local, apontando que cerca de 60% dos comerciantes são contra a retirada da rodovia do perímetro urbano, enquanto só 30% são favoráveis, desde que haja intervenções para melhoria no trânsito entre os dois lados da rodovia. “O nosso papel aqui era mostrar a preocupação do comércio e também das pessoas que transitam todos os dias para trabalhar tanto para um lado ou outro da BR, acreditando que esse momento seria a pauta mais importante do poder público: melhorar a viabilidade do transporte das pessoas”, afirmou.
Petronílio acrescentou que a principal preocupação é com a possível desvalorização do patrimônio e o impacto sobre os estabelecimentos comerciais que atendem caminhoneiros. “Outros comércios talvez terão que ser retirados de perto da rodovia, levados para onde vai passar o contorno. São comércios que atendem os caminhoneiros. Essa é uma preocupação”, reforçou.
O vereador Hélio Kaminski se posicionou dizendo que é preciso respeitar o comércio que já está consolidado às margens da rodovia. “Nós devemos respeito ao comércio. É possível avançar no progresso, mas respeitar o progresso que foi conquistado até agora. O comércio que está às margens da BR-163 vai cair, vai quebrar, vai gerar desemprego, vai gerar quebra de receita e nós não vamos admitir isso”.
Conforme o prefeito Miguel Vaz, os estudos não apontam para perdas ou prejuízos ao comércio, uma vez que a maioria dos caminhões que trafega pela rodovia passa direto, sem parar na cidade. “No momento em que a rodovia for doada ao município, nós poderemos fazer as intervenções que julgarmos necessárias na rodovia. Agora, é claro que nós vamos sempre olhar para o comércio que está no entorno dessa rodovia, tanto na Avenida da Produção quanto na Avenida Amazonas, para deixar esse novo projeto da forma mais interessante, não só para o comércio, mas para as pessoas também. Essa é a forma que a gente enxerga de integrar, fazer com que essa nova avenida possa ser uma forma de integrar os dois lados da cidade e trazer mais qualidade de vida para as pessoas, nós precisamos olhar para as pessoas”, ressaltou o prefeito.
Intervenções imediatas
Dentre as intervenções imediatas previstas para melhorar a mobilidade na travessia urbana está a construção de um viaduto no cruzamento da Avenida das Nações e Universitária, a ser viabilizado pela administração municipal. A concessionária Nova Rota do Oeste, por sua vez, apresentou um cronograma de intervenções de curto prazo para aliviar o tráfego nas travessias da rodovia federal.
“A concessionária Rota do Oeste tomará as medidas necessárias para aliviar esses pontos mais críticos, com ajustes mais simples para que esses períodos de congestionamento sejam aliviados. São projetos que vão ser iniciados em breve e, como prefeito, como Poder Executivo, assumo o compromisso de já iniciar um projeto para fazer um viaduto na travessia da Avenida das Nações/Universitária”, explicou o prefeito Miguel Vaz.
Conforme Roberto Madureira, a Nova Rota do Oeste está concluindo estudos para intervenções imediatas, como alargamento de pista e agulhas, que podem melhorar em até 50% os gargalos atuais. “A gente está concluindo também um estudo para que a gente possa fazer algumas iniciativas de melhoria, como agulhas, alargamento de pista, mudança de mão da marginal, entre outras questões de sinalização, para que a gente rapidamente possa surtir algum efeito de melhoria, de ordenação do tráfego. Mas é importante dizer também que a população tem uma parcela de responsabilidade nisso, porque há uma mudança de hábitos, há uma mudança de caminho diário para alguns casos, e isso para que a gente siga esse bem comum, a gente vai precisar mexer um pouquinho nesse conforto inicial para que tenha uma melhora na sequência”, sublinhou o diretor da Concessionária.
O presidente da Câmara, vereador Airton Callai reforçou que o primeiro viaduto será iniciado com máxima urgência, e a concessionária auxiliará na documentação junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e na redução do fluxo da rodovia. “Nós entendemos o anseio de cada um. Somos 100 mil pessoas e temos que pensar no presente e no futuro, mas em nenhum momento nós podemos abrir a mão do outro. Os dois têm que andar de mãos dadas e vamos fazer esse acompanhamento. O prefeito municipal se colocou à disposição em fazer imediatamente a solicitação de um viaduto a ser feito na Avenida Universitária, então o primeiro viaduto deve começar com a máxima urgência. A nova Rota Oeste vai dar o projeto do viaduto, vai ajudar nessa parte documental junto à ANTT e vai fazer também o auxílio para diminuir o fluxo da rodovia, dando prioridade para o município nas passagens”, declarou Callai.





























