Durante a 92ª Assembleia da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), Mato Grosso obteve a certificação de zona livre de febre aftosa sem vacinação, o mais alto status sanitário do mundo na cadeia de bovinos, bubalinos e suínos. Na cerimônia oficial realizada em Paris, na França, nesta quinta-feira, 29, a comitiva mato-grossense, liderada pelo vice-governador Otaviano Pivetta, celebrou o momento aguardado por décadas.
Com um rebanho de aproximadamente 33 milhões de cabeças de gado, Mato Grosso tem papel protagonista nessa conquista. O estado seguiu rigorosamente todas as diretrizes do Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA), contribuindo com um sistema robusto de vigilância, controle e compromisso dos produtores rurais. A certificação, concedida pela OMSA, reconhece não apenas o fim da vacinação contra a doença, mas também a competência técnica e a responsabilidade coletiva dos envolvidos na cadeia produtiva.
Pivetta disse que a entrega do certificado representa um marco histórico para o agronegócio brasileiro e reforça o protagonismo de Mato Grosso, maior rebanho bovino do país, com 33 milhões de cabeças. A conquista deverá ampliar o acesso do estado a mercados internacionais mais exigentes, especialmente na Ásia, onde já se concentram as exportações de carne bovina — que somaram US$ 2,1 bilhões em 2023.
“Nós, mato-grossenses, brasileiros, estamos preparados para ajudar a alimentar o mundo com qualidade e com segurança. Essa certificação coroa o trabalho todo que foi feito e nós brasileiros que temos essa vocação natural de alimentar o mundo, estamos liberados para vender cada vez mais produto com mais qualidade com mais valor agregado. Tantas personalidades brasileiras, recebendo essa certificação que é histórica para nós, foram dezenas de anos trabalhando para isso acontecer. Nossos corpos técnicos, os estados cuidaram da sanidade animal, vigilância. É uma virada de chave para o Brasil. Agora, nós precisamos fazer uma manutenção disso e o desafio é mantermos a vigilância, termos esse status para que o Brasil possa exercer a sua vocação, que é ser um grande produtor de bovinos”, sublinhou o vice-governador.
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, também destacou o papel dos produtores na conquista, especialmente os pecuaristas. “Hoje é só alegria. Nossa alegria como produtor rural, como representante do produtor rural de Mato Grosso. Parabéns aos pecuaristas que fizeram a sua tarefa de casa. Vocês conseguiram elevar o status brasileiro, os livres de aftosa sem vacinação. Isso é motivo de orgulho para nós. Estamos de parabéns. Agora é só cuidar, como os técnicos estão aí preparados para isso, para nos dar o norte do caminho para a gente manter esse status e ganhar mercado para o mundo afora.”
O certificado entregue pela OMSA sela uma transformação iniciada ainda nos anos 1970, quando a febre aftosa era um risco permanente para o rebanho estadual. Desde o último foco registrado em 1996, Mato Grosso avançou com campanhas de vacinação, estruturação institucional e vigilância sanitária. A nova certificação substitui o status de zona livre com vacinação, conquistado em 2001, e representa uma conquista coletiva de produtores, entidades e poder público — que agora precisam manter o padrão sanitário alcançado para preservar e ampliar os mercados internacionais.
O processo de retirada da vacinação, iniciado há mais de 10 anos, contou com a participação ativa das entidades representativas, técnicos e produtores. Em Mato Grosso, a equipe gestora do PNEFA trabalhou de forma integrada e estratégica, garantindo o cumprimento de todos os critérios estabelecidos pela OMSA, inclusive a realização de estudos soroepidemiológicos que comprovaram a ausência de circulação do vírus no território.
O vice-presidente da Famato, Amarildo Merotti, reforçou a importância dessa vitória coletiva. “É uma conquista de todos: produtores, técnicos, colaboradores, veterinários e instituições. Mato Grosso mostrou mais uma vez sua força e responsabilidade com a sanidade animal. Essa certificação é um passaporte para a pecuária do futuro – mais competitiva, valorizada e reconhecida mundialmente. Seguiremos vigilantes, atentos e comprometidos com a qualidade e a segurança dos nossos produtos”, afirmou Merotti.
Mais de 244 milhões de bovinos e bubalinos em cerca de 3,2 milhões de propriedades em todo o Brasil deixaram de ser vacinados contra a febre aftosa. A última ocorrência da doença foi registrada em 2006. Desde então, o país avançou gradualmente na formação de zonas livres, até alcançar o reconhecimento total agora concedido.
Apesar da suspensão da vacinação, o Brasil manterá rígidas ações de vigilância sanitária. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os pecuaristas continuam sendo peças-chave no processo de monitoramento e devem seguir atentos às orientações do Serviço Veterinário Oficial (SVO).
A entrega oficial do certificado será realizada na próxima semana, em Paris, pela presidente da OMSA, Emmanuelle Soubeyran, ao governo brasileiro. O documento será um símbolo do esforço conjunto entre setor público e privado para elevar ainda mais o padrão da produção animal brasileira.
Com o novo status, o Brasil espera conquistar o acesso a mercados premium como Japão e Coreia do Sul, agregando valor à produção e ampliando a presença da carne brasileira no cenário internacional.
“Mais do que um certificado, é o reconhecimento da excelência do nosso agro. É a vitória da competência, da união e da persistência dos nossos produtores”, finalizou Vilmondes Tomain.
(Com Sedec-MT e Famato)




























