DOCUMENTÁRIO

“A luta pela vida” escancara os impactos sociais e afetivos da falta de estrutura da BR-163

Produção apresentada no espaço Show Safra Educação relembra mobilização social que impulsionou duplicação da rodovia e a consequente redução de acidentes
(Foto: Verbo Press)

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Concebido para apresentar um panorama sensível e crítico da rodovia que se caracteriza como espinha dorsal da logística de Mato Grosso, o documentário “BR-163 – A luta pela vida” foi exibido no espaço Show Safra Educação na tarde de sexta-feira, 27, causando comoção no público.

Dirigida pelo documentarista Jorge Esteban Sepúlveda Tejos, a obra audiovisual foi roteirizada pela jornalista Camila Galvão e realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio de edital da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT), na categoria documentário.

Tendo como fio condutor a luta pela vida, o documentário não se limita a relatar acidentes e estatísticas, mas traz à luz os impactos sociais e afetivos da rodovia, escancarando problemas que influenciaram e ainda influenciam diretamente a vida de milhares de mato-grossenses e brasileiros que trafegam diariamente pela BR-163.

Fruto de um amplo trabalho de pesquisa, o documentário ouviu familiares de vítimas de acidentes, autoridades municipais e estaduais, além de representantes da concessionária responsável pelo trecho entre Itiquira e Sinop. A produção retrata a luta de diferentes setores da sociedade que culminou na mudança da gestão da concessão e no avanço das obras de duplicação, que seguem avançando.

Coordenador da Comissão da OAB/MT que acompanhou o processo de retomada das obras, o advogado Abel Sguarezi expressa o sentimento de dever cumprido. “Valeu muito a pena. O mais importante é mostrar para a sociedade que essa contribuição silenciosa, feita para o bem, rende frutos e impacta gerações”, afirmou.

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Sguarezi destacou ainda os resultados práticos já observados. “Nos trechos duplicados, tivemos quase 95% de redução de acidentes. O primeiro foco é a vida. Colisões frontais, que eram comuns e muitas vezes fatais, passam a ser muito mais raras com a melhoria da infraestrutura”, aponta.

Além da preservação de vidas, Sguarezi ressaltou o impacto econômico. “Isso também impulsiona o desenvolvimento. Hoje você tem mais segurança para circular, para investir, para crescer. A rodovia deixa de ser um gargalo e passa a ser um vetor de desenvolvimento”, completou.

O vereador Márcio Albieri relembrou a força da mobilização popular que marcou o movimento “Pelas Vidas na BR-163”, servindo de provocação para ações efetivas na busca de soluções. “Esse documentário é muito fiel ao que aconteceu. Foi uma luta árdua, construída por várias instituições, sem liderança individual. Era a sociedade organizada lutando por uma causa comum”, destacou.

Albieri lembra que entidades como Rotary, Lions, sindicatos, igrejas e diversas associações se uniram em manifestações e ações que chamaram a atenção para a situação crítica da rodovia. “Às vezes, só o fato de estarmos na beira da BR já gerava impacto, congestionamento, visibilidade. Foi assim que conseguimos avançar”.

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Albieri também ressaltou o papel da imprensa e das instituições jurídicas no processo. “Cada um colocou seu tijolinho. Hoje vemos a duplicação chegando e os números de acidentes caindo. É motivo de orgulho para todos que participaram”, afirmou.

“Esse trabalho é dedicado às pessoas que perderam suas vidas na BR-163 e às famílias que confiaram suas histórias. É uma forma de garantir que essa memória não se perca”, sublinha o diretor do documentário, Jorge Sepúlveda, ao destacar o caráter humano da produção, construída a partir de histórias reais.

Segundo ele, o levantamento aponta mais de 1.200 mortes registradas entre 2007 e 2025 no trecho estudado. “São números que mostram a urgência dessa discussão. Não se trata apenas de desenvolvimento econômico, mas de vidas, sonhos e histórias que passam por essa rodovia”, reforçou.

O diretor também destacou que o documentário terá novas exibições ao longo do eixo da BR-163. “Queremos levar esse conteúdo para outras cidades, para que mais pessoas tenham acesso e para que essa história continue sendo contada”. (Com Assessoria Verbo Press)

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