A edição de abril de 2025 do Panorama do Comércio, publicado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) nesta quinta-feira, 17, mostra que o comércio varejista deu sinais de força no início de 2025, mas esbarra em um ambiente de incertezas que penaliza a percepção de quem compra e de quem vende.
Dados do IBGE apontam que, no acumulado de janeiro e fevereiro, o volume de vendas avançou 2,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o varejo ampliado — que inclui veículos, motos, peças e material de construção — anotou alta semelhante de 2,4%.
O bom desempenho das vendas se reflete no emprego formal. Segundo o CAGED, fevereiro de 2025 registrou um saldo recorde de 431.995 novas vagas, com quase 47 mil postos criados apenas no comércio. A combinação de renda média em elevação e taxa de desemprego ainda baixa reforça o dinamismo do setor, mesmo diante de custos de financiamento mais altos.
Confiança em queda
Ao mesmo tempo, os indicadores de confiança apontam para um cenário mais cauteloso. Tanto a avaliação do momento presente quanto as expectativas para os próximos meses recuaram, mas foi o componente futuro — aquilo que consumidores e empresários esperam para os seus negócios e orçamentos — que registrou a maior queda. Esse descolamento entre indicadores reais e percepção reflete o impacto de tensões fiscais, volatilidade cambial e a perspectiva de juros ainda mais altos.
A inflação se mantém como pedra no sapato: o IPCA está acelerando e já flerta com patamares acima do teto da meta definida pelo Banco Central. Diante desse quadro, a taxa Selic subiu para 14,25% ao ano e deve continuar subindo nos próximos encontros do COPOM. O aperto monetário encarece linhas de crédito e pressiona o bolso do consumidor, colocando em xeque a continuidade do crescimento das vendas.
Endividamento, inadimplência e projeções
Apesar da melhora no emprego, as famílias seguem com níveis elevados de endividamento. Os dados da CNDL e do SPC Brasil mostram nova aceleração na inadimplência, tanto entre pessoas físicas quanto jurídicas. Esse movimento reforça a necessidade de cautela na concessão de crédito e de maior disciplina orçamentária por parte dos consumidores.
O Boletim Focus mantém a previsão de crescimento do PIB em cerca de 2,0% para 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. Já a inflação projetada para o ano subiu de 5,0% para 5,6%, evidenciando a “desancoragem” das expectativas. A sustentação desse cenário base dependerá da evolução das incertezas fiscais e da capacidade de resposta do ambiente externo.
Em Mato Grosso
A pesquisa de intenção de compras para o período de Páscoa, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) entre 31 de março e 4 de abril, revelou que quase a metade dos mato-grossenses (49%) vai consumir produtos alusivos à data. Os gastos com ovos de Páscoa e barras de chocolate devem superar os R$ 390 milhões no estado.
Além disso, a média de gasto ficou em R$281,41, valor maior que o observado na pesquisa anterior, de 2024, onde a média ficou em R$ 154,61. Mais da metade do público participante da pesquisa (70,1%) pretende gastar até R$ 200,00.
Outro ponto observado na pesquisa é um crescimento no percentual de entrevistados que disseram que vão consumir na data. No ano passado, 37% disseram que iriam consumir produtos relacionados com a Páscoa, contra os 49% observado neste ano.
O presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, reforça a importância da data para o comércio e para a economia do estado. “Temos observado uma maior movimentação em supermercados e lojas especializadas de chocolate, o que contribui para aquecer o comércio local neste período do ano. Outro dado interessante na pesquisa é que mais pessoas pretendem gastar mais neste ano do que no ano passado”.
É esperado uma movimentação maior nas lojas do estado, uma vez que 34,7% dos respondentes disseram que pretendem gastar mais e outros 6,9% disseram que não tinham gastado na Páscoa do ano passado. Outro dado divulgado na pesquisa mostra que 64,9% dos respondentes vão procurar por ovos de Páscoa industrializados, e 41,1% por ovos artesanais. Os percentuais também estão maiores que a pesquisa passada, quando representavam 58% e 25%, respectivamente.
Supermercados devem ser os estabelecimentos mais procurados para a compra de produtos da Páscoa, para 66,1% dos entrevistados. Lojas localizadas nos centros das cidades aparecem para 21,4% dos respondentes e outros 17,3% em shopping centers. Cerca de 14,9% demonstraram interesse em comprar de vendedores autônomos, 6% de lojas do próprio bairro e 4,4% irá procurar em sites ou aplicativos de venda.
Para os que disseram que não vão consumir produtos da Páscoa, abrangendo 44,7% dos entrevistados, 46,9% deles alegaram problemas financeiros, 34,1% não têm o hábito de comemorar, 13,3% disseram não ter tempo para comprar e 1,3% afirmaram possuir restrição alimentar. Também foram apontadas questões religiosas e familiares, assim como falta de interesse pela data para não quererem consumir produtos da Páscoa.
(Fonte: CNDL e Fecomércio-MT)


























