SALMÃO DA ESPIGA

Fundação Rio Verde amplia monitoramento e orienta produtores sobre doenças do milho

Levantamento realizado durante a safrinha de 2026 reforça que o diagnóstico correto permanece sendo a principal ferramenta para decisões assertivas no campo
(Foto: Divulgação)

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A ocorrência da podridão salmão da espiga, causada pelo fungo Waitea zeae, chamou a atenção dos produtores rurais na atual safrinha do milho e vem sendo acompanhada de perto pela Fundação Rio Verde.

Com o avanço da colheita e o aumento do número de amostras analisadas, a instituição conseguiu ampliar a compreensão sobre o cenário fitossanitário das lavouras de milho em Mato Grosso e reforça que o diagnóstico correto permanece sendo a principal ferramenta para decisões assertivas no campo.

Desde os primeiros relatos da doença, a Clínica de Plantas da Fundação Rio Verde intensificou o recebimento e a análise de materiais enviados por produtores de diversas regiões. Ao longo da safrinha de 2026, foram recebidas 244 amostras de milho, sendo 156 de espigas, permitindo um levantamento mais abrangente sobre os agentes envolvidos nos problemas observados nas lavouras.

Os resultados demonstram que, embora Waitea zeae tenha despertado preocupação por sua capacidade de provocar danos significativos onde ocorre, ele não foi o principal patógeno encontrado nas amostras avaliadas. A maior incidência foi registrada para Stenocarpella (Diplodia), detectada em 62,8% das espigas analisadas. Em seguida aparecem espécies do gênero Fusarium, presentes em 47,4% das amostras, enquanto Waitea zeae foi identificado em 18,6% dos materiais encaminhados à Fundação.

Segundo a pesquisadora da Clínica de Plantas da Fundação Rio Verde, Isabela Ulsenheimer, esse levantamento reforça que o aumento da ocorrência de grãos avariados observada nesta safra não pode ser atribuída a um único agente. “As análises mostram que diferentes fungos estão associados aos sintomas encontrados nas espigas. Os dois predominantes já são conhecidos pelos produtores e tiveram sua incidência favorecida pelas condições climáticas registradas nesta safrinha, especialmente pelas chuvas fora do padrão próximas ao período de colheita”, explica a pesquisadora.

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As amostras positivas para Waitea zeae foram identificadas em diferentes regiões produtoras de Mato Grosso, incluindo Lucas do Rio Verde, Ipiranga do Norte, Tabaporã, Alta Floresta, Nova Maringá, Nova Santa Helena, Nova Bandeirantes, Paranaíta, Campo Novo do Parecis, Tapurah e Itanhangá, além de materiais provenientes do estado de Rondônia. O resultado confirma que a ocorrência do patógeno e reforça a necessidade de monitoramento contínuo.

Pesquisa busca respostas para o manejo

Com a reta final da colheita, os trabalhos da Fundação Rio Verde entram agora em uma nova etapa. O foco dos pesquisadores é compreender com maior profundidade o comportamento do patógeno nas condições de cultivo de Mato Grosso e gerar informações que permitam recomendar estratégias de manejo mais eficientes para as próximas safras.

Os estudos avaliam diferentes fatores que podem influenciar a ocorrência da doença. A proposta é construir recomendações baseadas em evidências científicas, considerando que o controle das doenças de espiga depende da integração de diversas ferramentas e não de uma única medida isolada.

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“Quando falamos em doenças de espiga, precisamos pensar em um manejo integrado. A escolha do híbrido, a janela de semeadura, as condições climáticas, o manejo nutricional, o controle de insetos que podem favorecer a entrada de patógenos e o posicionamento correto das ferramentas fitossanitárias fazem parte da estratégia”, esclarece a pesquisadora Luana Belufi, do Departamento de Fitopatologia da Fundação Rio Verde.

Outro ponto destacado pelas pesquisadoras é que Waitea zeae não representa um patógeno novo. O primeiro relato da espécie no Brasil ocorreu em 2002, no Pará. Anos depois, houve novo registro em Rondônia e, nesta safra, sua presença foi confirmada também em áreas produtoras de Mato Grosso, o que reforça a importância de acompanhar sua evolução e compreender seu comportamento nas condições locais.

Diagnóstico é o primeiro passo

Diante da semelhança entre os sintomas provocados por diferentes doenças de espiga, a Fundação Rio Verde orienta os produtores a não basearem suas decisões apenas na avaliação visual das plantas.

O encaminhamento de amostras para análise laboratorial continua sendo a forma mais segura de identificar corretamente o agente causal e definir estratégias de manejo compatíveis com cada situação. A identificação precisa evita interpretações equivocadas e permite que as decisões para a próxima safra sejam tomadas com maior segurança técnica. (Com Verbo Press)

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