Os efeitos do aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros foi tema de um debate institucional promovido nesta quarta-feira, 13, pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em parceria com o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem). O tarifaço, como vem sendo chamado, atinge diretamente a indústria de base florestal do estado.
Durante o debate, que reuniu diversos representantes de sindicatos e associações de trabalhadores do estado, foram apresentados cenários sobre o impacto econômico da medida, riscos de redução de postos de trabalho e estratégias para reduzir as perdas para indústrias e trabalhadores.
O presidente da Sistema Fiemt, Silvio Rangel, propôs a criação de uma carta conjunta, a ser assinada por representantes da indústria e dos trabalhadores, com medidas concretas que possam amenizar os efeitos negativos do tarifaço. O documento será encaminhado aos governos estadual e federal como forma de buscar apoio institucional e políticas de mitigação.
“Não podemos enfrentar essa crise de forma isolada. A união entre empregadores e empregados é essencial para mantermos a competitividade, proteger os empregos e garantir que o setor continue contribuindo para a economia de Mato Grosso”, afirmou Rangel.
O presidente do Cipem, Ednei Blasius, destacou que mais de 26% da produção de madeira nativa de Mato Grosso é exportada para os Estados Unidos, sendo que um dos principais produtos (o piso de madeira maciça com acabamento) é direcionado exclusivamente ao mercado americano e continua sujeito às tarifas, mesmo após as recentes alterações anunciadas pelo governo norte-americano.
Segundo ele, esse produto não encontra alternativas viáveis de comercialização em outros mercados, como Europa ou Ásia, devido às especificidades técnicas e à demanda restrita ao consumidor americano. “Sem ter para onde direcionar a produção, há risco de desemprego praticamente total nas linhas de produção voltadas a esse mercado, que empregam de 60% a 70% de mão de obra feminina altamente especializada”, disse.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireira de Juína e Região (Stimajur), João Alves da Luz, reforçou a importância da união entre empregadores e empregados na defesa do setor e da manutenção dos empregos. Ele lembrou que, em sua base sindical, que se estende de Juína a municípios como Colniza e Aripuanã, cerca de 80% dos empregos dependem diretamente da indústria madeireira, que reúne mais de 180 empresas na região.
“Quando a empresa não consegue trabalhar como deseja, quem paga a conta somos nós, trabalhadores. Cada emprego perdido significa uma família inteira sem renda, e não temos alternativa de sustento além de vender nossa força de trabalho. Por isso, é fundamental que o governo inclua medidas específicas para os trabalhadores no pacote de apoio e não deixe o setor madeireiro à margem das negociações”, afirmou.
Panorama do setor
O estado conta com 1.359 estabelecimentos e 10.869 trabalhadores atuando no setor, que engloba desde serrarias até a fabricação de móveis e artefatos de madeira, conforme informações do Observatório de Mato Grosso.
As serrarias com desdobramento de madeira em bruto representam quase metade das empresas (48,64%) e empregam 59,55% da mão de obra. A fabricação de móveis responde por 30,76% dos estabelecimentos e 18,27% dos empregos, seguida por outras atividades como resserragem, produção de chapas e artefatos diversos, que juntas mantêm milhares de postos de trabalho espalhados por Mato Grosso.
(Com Assessoria Fiemt)




























