EL NIÑO

Embrapa apresenta estratégias agropecuárias para enfrentar as variações climáticas

Adoção de práticas como conservação do solo, uso eficiente da água e adaptação ao estresse térmico são fundamentais para proteger as safras
(Foto: Luiz Henrique Magnante / Embrapa)

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O setor produtivo agropecuário brasileiro se prepara para enfrentar as variações climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño no ciclo 2026/2027. Para mitigar os riscos de perdas e manter a elevada eficiência nas lavouras e na pecuária, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que os produtores adotem medidas preventivas antes do início das adversidades, combinando tecnologia, manejo adequado do solo e monitoramento contínuo das previsões meteorológicas.

Enquanto produtores da Região Sul precisam se preparar para chuvas intensas e excesso de água, em grande parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste o fenômeno deve impor o desafio oposto: escassez de água, irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas. As diferenças não se limitam às fronteiras regionais: os riscos também mudam conforme a localização, a cultura, o sistema produtivo e o período do ciclo agrícola.

Em evento on-line realizado nesta sexta-feira, 9, a Embrapa apresentou um panorama do fenômeno e fez o lançamento das notas técnicas com orientações para as cinco regiões brasileiras e para a gestão de riscos climáticos.

Centro-oeste

No Centro-Oeste, o El Niño 2026/2027 deve produzir cenários distintos. Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal apresentam maior risco de seca, enquanto Mato Grosso do Sul, principalmente o sul do estado, tende a registrar maior disponibilidade de chuva.

Na maior parte da região, a previsão indica atraso e irregularidade das chuvas na primavera, seguidos de precipitações abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão. O período mais crítico para a seca está projetado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O atraso das primeiras chuvas pode comprometer a condição adequada para a semeadura da safra de verão, enquanto os veranicos podem atingir as lavouras em fases de maior demanda hídrica.

Em Mato Grosso e Goiás, os riscos incluem atraso do plantio, déficit hídrico e impactos sobre a cultura em sucessão à soja, como o milho e o algodão safrinha. No Distrito Federal, as orientações gerais devem ser combinadas com aquelas destinadas às culturas produzidas na região. Mato Grosso do Sul apresenta situação diferente: o sul do estado tende a ter chuvas acima da média na primavera, mas isso não elimina a possibilidade de veranicos durante a safra.

A principal orientação é não esperar as condições adversas para agir. Além do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), as medidas incluem aguardar condições adequadas de umidade antes da semeadura, manter o solo coberto, recorrer à irrigação quando houver segurança hídrica e acompanhar continuamente as previsões climáticas para aumentar a eficiência dos insumos utilizados.

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Nordeste

No semiárido nordestino, o El Niño tende a elevar as temperaturas e desregular as chuvas, com maior probabilidade de secas no final de 2026 e reflexos diretos na safra do início de 2027. Para reduzir a vulnerabilidade, as orientações principais envolvem o fortalecimento da infraestrutura de captação e armazenamento de água, por meio de cisternas, barreiros-trincheira e sistemas de reuso.

Nas culturas agrícolas, recomenda-se respeitar as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), optar por cultivares resistentes e avaliar o cultivo do sorgo como substituto ao milho em áreas críticas. Já em relação à pecuária, recomenda-se planejar a alimentação dos rebanhos, formar e conservar reservas de forragem, manter bancos de palma-forrageira e ajustar a taxa de lotação à capacidade de suporte da propriedade.

Antecipar decisões é a principal estratégia para reduzir os riscos no semiárido. Ajustar a produção à disponibilidade de recursos e à capacidade de suporte da propriedade, conservar o solo, usar a água de forma eficiente, formar reservas, diversificar a produção e acompanhar o clima pode reduzir a vulnerabilidade dos sistemas agropecuários.

Norte

Na Região Norte, a projeção aponta para o atraso na chegada das chuvas, elevação de temperaturas e redução dos níveis dos rios, afetando a logística e o abastecimento, sobretudo no Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A estratégia produtiva requer o ajuste do calendário de plantio de grãos e mandioca às cotas dos rios e à disponibilidade de água no solo.

A disponibilidade de água deve orientar boa parte das decisões na região. Além de seguir o Zarc, as medidas incluem: escolher cultivares adaptadas e precoces, conservar a umidade do solo, armazenar água, adequar a irrigação e proteger lavouras e animais do calor.

No caso da pecuária e das pastagens, recomenda-se ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, formar reservas de forragem, reforçar a suplementação e garantir água limpa e sombra. A redução da umidade pode antecipar a perda de qualidade das pastagens e aumentar o estresse térmico dos animais.

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Sudeste

O cenário no Sudeste apresenta disparidades: enquanto a previsão para São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais é de volumes de chuva acima da média entre outubro e dezembro, os nortes mineiro, capixaba e fluminense tendem a enfrentar condições mais secas. O calor excessivo é o ponto de atenção comum a toda a região, exigindo cuidados especiais nas lavouras de café durante as fases de floração e enchimento dos grãos.

Os principais riscos para a agropecuária são o déficit hídrico, as ondas de calor e o estresse térmico. Nos locais onde a chuva ficar acima da média, devem ser favorecidos a semeadura e o estabelecimento da soja e do milho de primeira safra, a formação dos frutos do café e a brotação da cana-de-açúcar.

No Sudeste, o manejo deve considerar principalmente os riscos associados à falta de água e às altas temperaturas. As medidas incluem seguir o Zarc, acompanhar as previsões climáticas, conservar água no solo, melhorar a infraestrutura hídrica, utilizar tecnologias adaptadas ao estresse hídrico e térmico e reforçar as reservas de forragem para a pecuária.

Sul

Na Região Sul, o El Niño 2026/2027 deve provocar chuvas mais intensas e concentradas, principalmente entre os meses de setembro e dezembro. O excesso de precipitação pode causar encharcamento dos solos, erosão e perda de nutrientes, além de dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. A maior nebulosidade também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

Entre as culturas mais expostas estão os cereais de inverno, arroz irrigado, soja, milho, frutíferas de clima temperado e hortaliças. Nas pastagens, o excesso de chuva pode reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e favorecer sua perda. Na silvicultura, a maior preocupação são os danos provocados por tempestades e ventos fortes.

No Sul, prevenção e manejo dos riscos devem caminhar juntos. Além do Zarc e do acompanhamento das previsões, as recomendações incluem escalonar a semeadura, manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejar colheita, secagem, armazenamento e logística. O planejamento também deve ultrapassar os limites da propriedade e considerar a microbacia hidrográfica, com medidas para controlar o escoamento da água e ampliar a capacidade de enfrentar eventos extremos. (Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República)

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