INDICADORES ECONÔMICOS

Cesta básica consome 60% do salário-mínimo em Lucas do Rio Verde

Estudo do NUPAC/Unilasalle em parceria com a CDL Lucas traz dados referentes aos meses de maio e junho de 2026
Levantamento foi apresentado durante live na segunda-feira, 20 (Foto: Verbo Press)

publicidade

Estudo do NUPAC/Unilasalle em parceria com a CDL Lucas traz dados referentes aos meses de maio e junho de 2026

Em Lucas do Rio Verde, a cesta básica consumiu 60,1% do salário-mínimo no mês de junho. Ou seja, para sustentar os itens básicos da alimentação diária, o trabalhador luverdense precisou dedicar 134,10 horas da jornada mensal, restando menos de 86 horas para garantir moradia, saúde, educação e transporte.

Esses dados fazem parte dos Indicadores Econômicos referentes aos meses de maio e junho de 2026, pesquisados pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Lucas do Rio Verde, em parceria com o Centro Universitário Unilasalle, e apresentados no início desta semana. Feito com metodologia oficial do DIEESE, o levantamento revela um cenário paradoxal, segundo o professor Rafael Zunino Marques, responsável técnico pela pesquisa: enquanto o valor médio da cesta básica recuou, regiões da cidade registraram novos recordes de preços, e o comprometimento da renda do trabalhador atingiu o maior índice já registrado na série histórica do estudo.

Em maio de 2026, o valor médio da cesta básica ficou em R$ 861,51 — o que corresponde a mais da metade do salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00. Já em junho, houve uma queda de cerca de 9,4%, com a média caindo para R$ 780,86. Mas esse alívio não chegou a todos:

Em maio, o menor valor da cesta básica foi registrado no Jardim Primavera (R$ 791,45), enquanto o registro do maior ocorreu no Parque das Emas II (R$ 962,05), uma diferença de R$ 170,60 na compra dos mesmos produtos.

Leia Também:  Lucas do Rio Verde integra lista dos municípios que mais empregam na agroindústria de MT

Já no mês de junho, o menor valor foi registrado no Jardim das Palmeiras (R$ 765,46), enquanto o Parque das Emas II apresentou novo recorde (R$ 988,09), registrando uma diferença de R$ 222,63 nos mesmos produtos.

“A cidade ficou mais barata na média, mas o bairro mais caro ‘puniu’ ainda mais seus moradores”, observa o professor Rafael. “As promoções pontuais e quedas em algumas regiões acabam mascarando a realidade de quem mora em locais com custos mais elevados”, completa.

Conforme explica o professor, os preços mudam de acordo com alguns fatores, como fornecedores, poder de negociação dos estabelecimentos, margens de lucro e carga tributária. Itens essenciais como a carne de coxão duro — que representa quase metade do valor total da cesta — variaram até R$ 200 entre bairros, enquanto o tomate teve flutuações superiores a 30% de um mês para o outro.

A nova regra que exibe o valor do imposto diretamente na etiqueta já ajuda a entender parte dos custos: um produto de R$ 124, por exemplo, pode ter R$ 43 só de tributos. “Alguns itens têm redução de impostos, mas outros, como o café, seguem com tributação normal, e o ICMS estadual tem peso grande no preço final”, explica o professor Rafael.

Leia Também:  Cooperativismo brasileiro participa de reunião do Grupode Trabalho do G20 da ACI

Ele observa ainda que nem sempre o maior supermercado tem os valores mais baixos: pequenos estabelecimentos também ajustam margens para competir, e vale observar promoções específicas — como o preço baixo de ovos em um local, mesmo que outros itens estejam mais caros.

O presidente da CDL Lucas, Petronilio de Sousa, salienta que o objetivo da parceria com o Unilasalle é levar informação confiável à população e fortalecer o comércio local. “Essa pesquisa é feita com toda seriedade pela equipe do Unilasalle, para mostrar ao consumidor como anda a economia, onde comprar e como fazer escolhas mais conscientes. Os nossos empresários estão todos empenhados em atender bem e oferecer as melhores condições possíveis”, destaca.

A coleta é realizada mensalmente em pelo menos um estabelecimento de cada bairro mais populoso da cidade — incluindo Bandeirantes, Parque das Emas II, Centro, Alvorada, Jardim Primavera e Jardim das Palmeiras — garantindo uma amostra representativa e alinhada aos critérios técnicos nacionais. Os dados seguem as regras do DIEESE e da Constituição Federal, que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir alimentação, moradia, vestuário, higiene, saúde, educação e transporte do trabalhador e de sua família. (Com informações Verbo Press)

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade