O Novembro Azul é mais do que uma campanha. É um chamado à ação para que homens de todas as idades reflitam sobre a importância dos cuidados preventivos, especialmente em relação ao câncer de próstata, responsável por cerca de 67 casos para cada 100 mil homens no Brasil. A estimativa, segundo o Ministério da Saúde, é de que, até o ano de 2025, mais de 700 mil novos casos sejam registrados. A pasta da Saúde, por meio do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estimou cerca de 72 mil novos casos entre 2023 e 2025. No mundo, de acordo com a comissão de câncer de próstata da revista científica internacional Lancet, os novos casos devem dobrar até 2040, indo de 1,4 milhão em 2020 para 2,9 milhões em 2040.
Apesar de grave, a doença pode ser tratada quando detectada precocemente. Muitas vezes, porém, o estigma em torno da saúde masculina impede que os homens busquem ajuda e, por vergonha ou medo, estes postergam exames e consultas. Novembro Azul, portanto, nos lembra que cuidar de si mesmo é um ato de coragem e amor, tanto por si quanto pelos que nos rodeiam. A mensagem é clara: a prevenção pode salvar vidas. Não é só um mês, mas um compromisso contínuo com a saúde e o bem-estar. Cuidar de si é cuidar de todos.
Cuide da saúde, previna o câncer!
Segue artigo escrito pela nutricionista Adriana Stavro, mestre pelo Centro Universitário São Camilo, com curso de formação em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard Medical School, especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein, e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pelo Instituto Valéria Pascoal (VP) e Fitoterapia pela Courses4U.
No texto, a nutricionista destaca a importância de uma alimentação saudável e da atividade física na prevenção. Confira:
“O câncer de próstata (CaP) é o segundo tipo mais comum de câncer e a quinta principal causa de morte relacionada ao câncer entre homens em todo o mundo. Em 2018, cerca de 1,2 milhão de novos casos de CaP foram diagnosticados, resultando em quase 360.000 mortes.
Fatores como dieta, obesidade, tabagismo, sedentarismo e genética são considerados determinantes no desenvolvimento da doença. A alimentação inadequada — rica em calorias e pobre em nutrientes —, aliada à falta de atividade física, leva ao desequilíbrio energético e ao aumento da adiposidade, o que causa inflamação sistêmica crônica de baixo grau.
Essa inflamação crônica pode contribuir para o crescimento de células cancerígenas através de diversos mecanismos, como a produção de moléculas inflamatórias que danificam o DNA, a supressão do sistema imunológico, e a promoção da angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos), que alimenta o tumor.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a carne processada é classificada como cancerígena para os seres humanos, enquanto a carne vermelha é considerada provavelmente cancerígena. O consumo excessivo de carne vermelha está associado ao aumento do risco de câncer colorretal e há evidências de uma ligação com os cânceres de pâncreas e próstata.
Por outro lado, a prática regular de atividade física e a adoção de uma dieta no estilo mediterrâneo estão associadas a um risco reduzido de desenvolvimento de câncer.
Por que a dieta mediterrânea é tão importante?
Rica em frutas, legumes, cereais integrais, leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha), oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), sementes, azeite, produtos lácteos magros, peixes, aves e ovos (até quatro unidades por semana), a dieta mediterrânea oferece uma combinação única de nutrientes que combatem a inflamação, protegem as células e reduzem o risco de diversas doenças, incluindo o câncer de próstata.
Como a dieta mediterrânea atua na prevenção?
Antioxidantes: Presentes em abundância nos alimentos mediterrâneos, eles combatem os radicais livres, que podem danificar as células e contribuir para o desenvolvimento do câncer.
Fibras: As fibras presentes nos cereais integrais e leguminosas ajudam a regular o sistema digestivo e controlam os níveis de hormônios relacionados ao crescimento celular.
Gorduras saudáveis: O azeite de oliva, rico em gorduras monoinsaturadas, possui propriedades anti-inflamatórias e protetoras do coração.
Proteínas de alta qualidade: Os peixes e leguminosas fornecem proteínas de alta qualidade, essenciais para a saúde celular.
Benefícios da atividade física
Em um estudo com 2.705 homens, que avaliou a atividade física (AF) e a sobrevida após o diagnóstico de câncer de próstata, os indivíduos que se exercitavam três ou mais horas por semana apresentaram um risco 61% menor de mortalidade, em comparação com aqueles que praticavam menos de uma hora de AF por semana.
Outro estudo com 4.623 homens suecos diagnosticados com câncer de próstata mostrou que aqueles com níveis mais elevados de atividade física apresentaram taxas reduzidas de mortalidade.
O papel do licopeno, vitamina D e ômega-3
O licopeno, presente no tomate, apresenta um potencial promissor na prevenção do câncer de próstata, especialmente quando consumido com gorduras saudáveis. Ele pode inibir o crescimento e a proliferação das células de CaP, regular positivamente genes supressores de tumores e reduzir os danos oxidativos ao DNA.
A biodisponibilidade do licopeno é maior em tomates cozidos ou assados e está fortemente associada à composição da dieta, especialmente à quantidade de gorduras saudáveis consumidas.
A vitamina D também tem mostrado um papel importante na regulação do crescimento celular e na redução do risco de câncer prostático. Da mesma forma, os ácidos graxos ômega-3, encontrados principalmente em peixes como salmão e sardinha, são conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e podem ajudar a reduzir o risco de vários tipos de câncer, incluindo o de próstata.
Dieta ocidental e risco aumentado
Alta ingestão de carnes vermelhas ou processadas, peixe-frito, batatas fritas, leite com alto teor de gordura e pão branco está associado a um risco aumentado de câncer de próstata. Isso reforça a importância de uma alimentação equilibrada.
Fonte: Fiocruz e Rta Comunicação)























