Com a proposta de estimular a comunicação e pesquisa, despertando nas crianças o interesse em conhecer como era a comunicação antes da internet e do celular, a professora e escritora Solange Oliveira Santos fomentou em seus alunos do 2º Ano C da Escola Municipal Professor Marcelino Espindola Dutra, em Lucas do Rio Verde, a curiosidade em torno de meios como cartas, jornais, rádio.
Ao falar sobre os jornais impressos, a professora apresentou aos seus alunos alguns exemplares do jornal Folha Verde, fundado em maio de 1986, e falou da primeira jornalista e escritora de Lucas do Rio Verde, Vera Terezinha Faccin Carpenedo, responsável pelo Folha Verde, que se manteve como jornal impresso até maio de 2024, quando passou para o formato on-line.
Conforme relata a professora, ao manusearem o impresso os alunos demonstraram grande interesse pela leitura, pois encontraram muitas notícias sobre a cidade, conheceram a estrutura do jornal, tiveram contato com anúncios e propagandas. A partir daí, teve início a atividade de produção de textos.
“Foram duas aulas de leitura, foi verificado o interesse de todos pela leitura. Após a leitura, foi feito o momento de socialização, cada criança queria falar do que leu. A turma foi dividida em três grupos, com a intenção de trabalhar de forma inclusiva e com equidade: jornalistas, fotógrafos e editores”, detalha a professora.
Perguntando aos alunos sobre acontecimentos na escola que poderiam se tornar notícias, a professora instigou o protagonismo dos alunos, que se transformaram em escritores, fotógrafos, desenhistas, pintores, editores.
“O primeiro grupo de jornalistas teve como atividade para casa organizar as notícias da escola em uma cartolina e apresentar na próxima aula. Foi iniciada a pintura da caixa de papelão, para exposição dos trabalhos. No dia seguinte, foi feito o conselho de grupo para escolha do nome do projeto”, relata a professora. E assim surgiu “O mundo da leitura infantil, mais notícias”.
Inicialmente, as notícias foram apresentadas em cartazes, que foram entregues para o grupo de fotógrafos para selecionarem as fotos e inserir no cartaz. “Com isso, foi proporcionada a inclusão dos alunos não leitores e atípicos”, destaca Solange ao explicar que o terceiro grupo – os editores – foi incumbido de realizar a leitura e aprovação para publicação das notícias, organizando a caixa no saguão da escola para conhecimento da comunidade.
“Posteriormente, foi criado o e-mail do jornal: [email protected] para que cada aluno com sua família enviasse mensagem falando sobre o projeto, buscando alinhar o passado (jornal impresso) com o presente tecnológico (internet)”, relata a professora.
Quando a atividade parecia concluída, a pergunta de um dos alunos conduziu a um outro desafio: – “Podemos transformar nossas notícias em um jornal?”
A professora começou, então, a pensar em como transformar os trabalhos em jornal e buscou apoio. Assim, L. Kraemer organizou a arte do jornal para impressão e Centro de Formação de Lucas do Rio Verde reproduziu em quantidade suficiente para entregar um exemplar a cada aluno, trabalho esse realizado durante as férias escolares de julho.

E no retorno às aulas, no dia 23 de julho, os pequenos alunos escritores/jornalistas vivenciaram a alegria e emoção de terem em mãos o jornal que retrata os trabalhos produzidos em sala de aula. Para marcar o momento, a professora Solange convidou a jornalista e escritora Vera Terezinha Faccin Carpenedo a participar de uma roda de conversa com os alunos e fazer a entrega dos jornais.

Declarando-se honrada com o convite, a jornalista parabenizou pela iniciativa e destacou a importância de atividades de leitura e escrita na formação das crianças, futuros cidadãos e profissionais. Vera contou que viveu na roça até os 12 anos de idade, estudou em escolinha rural com turmas multisseriadas, em que alunos do 1º ao 4º ano eram agrupados em uma mesma sala de aula, sendo ensinados pela mesma professora.
“Sabem o que fez a diferença para aquela menina da roça tornar-se jornalista e escritora? A leitura! Meus pais sempre gostaram de ler e sempre incentivaram muito o hábito da leitura”, sublinhou Vera Terezinha Faccin Carpenedo ao deixar aos alunos a mensagem de que aproveitem o tempo de estudo e as oportunidades de leitura e aprendizado.
O projeto
O projeto teve início no dia 20 de maio, integrando os 24 alunos da C do 2º Ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Professor Marcelino Espindola Dutra. Realizado nas aulas da disciplina de Língua Portuguesa, foi desenvolvido dentro do Programa A União Faz a Vida, que beneficia estudantes de instituições de ensino públicas e particulares por meio de uma metodologia própria que valoriza os saberes obtidos fora e dentro da escola.
Principal programa de responsabilidade social do Sicredi, o Programa A União Faz a Vida é desenvolvido em Lucas do Rio Verde pela cooperativa Sicredi Ouro Verde MT, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.





























